Tenho SOP. O Daysy funciona para mim?
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Esta é provavelmente uma das perguntas que mais recebemos. E faz todo o sentido que seja assim, porque a Síndrome dos Ovários Poliquísticos é uma das condições hormonais mais comuns em mulheres em idade reprodutiva, e uma das que gera mais dúvidas quando se fala em monitorização da fertilidade.
Vamos por partes.
Primeiro, os números
Estima-se que entre 10 a 13% das mulheres em todo o mundo têm SOP, e até 70% dessas mulheres não sabem que têm a condição. São números que impressionam, especialmente quando pensamos que estamos a falar de algo que, muitas vezes, fica escondido atrás de sintomas que a medicina convencional vai tratando à peça: acne, irregularidade menstrual, dificuldade em engravidar.
Mas aqui está um detalhe que muita gente não sabe: ter SOP não significa automaticamente ter ciclos irregulares. A SOP é uma síndrome, o que quer dizer que se expressa de formas muito diferentes de mulher para mulher. Cerca de 30% das mulheres com SOP têm menstruações normais. E há ainda uma camada a mais: cerca de 40% das mulheres com SOP que têm ciclos regulares têm menstruações sem ovulação. Ou seja, um ciclo de 28 dias não é garantia de ovulação. O diagnóstico não é o mesmo para todas, e o ciclo também não.
Dito isto, quando a SOP interfere com o ciclo, a interferência costuma ser significativa. Aproximadamente 70 a 80% das mulheres com SOP apresentam oligomenorreia ou amenorreia. Num estudo com 1750 mulheres com SOP publicado no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 88,1% eram anovulatórias e apenas 11,9% tinham alguma atividade ovulatória, ainda que irregular. O que é que a SOP faz ao ciclo, quando o afeta?
Quando a SOP interfere com o ciclo, o que acontece não é um caos aleatório, mas algo muito específico: a fase folicular alonga-se. A ovulação demora mais a acontecer. Às vezes muito mais. Cerca de 85 a 90% das mulheres com SOP apresentam oligoovulação e um intervalo prolongado entre episódios de sangramento vaginal. Nalguns ciclos, a ovulação simplesmente não acontece.
O motivo tem a ver com a forma como o hipotálamo marca o ritmo hormonal. Na SOP, há um aumento constante da pulsação da GnRH, o que provoca níveis cronicamente elevados de LH e dificulta a produção de FSH, a hormona que ajuda os folículos a crescer e amadurecer. O resultado: os folículos ficam ali, a meio caminho, sem conseguir chegar à fase final, e a ovulação fica adiada ou simplesmente não acontece naquele ciclo.
A boa notícia é que quando a ovulação acontece, mesmo que tarde, a fase lútea é, regra geral, normal. Nas mulheres com SOP, a subida da temperatura basal ocorre mais tarde, mas a duração da fase lútea é normal. O ciclo é longo, mas tem estrutura. E é aqui que entra a temperatura basal.
O que é que a temperatura basal tem a ver com isto?
A temperatura basal é um reflexo direto da progesterona. Depois da ovulação, a progesterona sobe e a temperatura sobe com ela, independentemente de a ovulação ter acontecido no dia 14, no dia 24 ou no dia 40. O que o Daysy lê não é um valor absoluto de temperatura, mas a subida relativa face à temperatura pré-ovulatória da própria utilizadora. Isso é importante, porque significa que o algoritmo funciona seja qual for o momento em que a ovulação acontece.
Para as mulheres com SOP, a medição contínua da temperatura basal é particularmente importante. Estas mulheres têm frequentemente ciclos irregulares e longos, o que dificulta perceber quando e se a ovulação ocorreu. Muitas usam o Daysy para monitorizar o impacto de mudanças no estilo de vida ou de terapias e suplementação no seu ciclo. O gráfico de temperatura é, por isso, muito mais do que um indicador de fertilidade: é uma janela para o que está a acontecer dentro do teu corpo.
O que significam as luzes no Daysy quando se tem SOP?
Aqui chegamos à parte prática, que é aquela que mais dúvidas levanta.
O Daysy comunica através de quatro cores. Verde significa que não estás fértil. Pode aparecer no início do ciclo, durante a fase pré-ovulatória em que a probabilidade de gravidez é extremamente baixa, e volta a aparecer depois da ovulação ser confirmada, mantendo-se assim até à próxima menstruação. Vermelho fixo significa que estás fértil ou possivelmente fértil. Vermelho intermitente indica a ovulação prevista. E amarelo, que é aquele que levanta mais questões, significa que o dispositivo ainda está a aprender o teu padrão, ou que há uma flutuação de ciclo que não corresponde ao que foi aprendido até então.
O amarelo deve ser lido como potencialmente fértil. Sempre.
Numa mulher com ciclos regulares, depois da fase de aprendizagem inicial, os dias amarelos são relativamente poucos. Numa mulher com SOP e ciclos longos ou variáveis, o quadro pode ser diferente: pode haver mais dias vermelhos e amarelos, durante um período mais longo, até a ovulação ser confirmada. Isto não é uma falha do dispositivo. É o dispositivo a representar com rigor o que está a acontecer no teu ciclo, onde a janela de fertilidade potencial é genuinamente mais longa e menos previsível.
O Daysy aprende o ciclo único de cada utilizadora e calcula com base no que é normal para ela. Se um ciclo de 35 dias é regular para ti, o Daysy não vai interpretar isso como irregularidade. Num ciclo anovulatório, o dispositivo também o mostra claramente: as luzes ficam vermelhas ou amarelas porque não há subida de temperatura para confirmar a ovulação.
Quando o Daysy mostra verde, podes confiar. A precisão do algoritmo na distinção entre dias férteis e não férteis é de 99,4%.
E os testes de ovulação?
Esta é uma questão que convém abordar, porque muitas mulheres com SOP já tentaram usar testes de ovulação urinários, os chamados OPKs, e ficaram frustradas com os resultados. As mulheres com SOP podem ter níveis de LH consistentemente mais elevados ao longo do ciclo, o que torna os testes de LH menos fiáveis, porque podem gerar falsos positivos. Há mulheres que veem uma linha positiva no teste de LH dias a fio, sem que haja ovulação real, simplesmente porque o seu patamar de LH é cronicamente mais alto.
A temperatura basal não tem este problema. O que mede é a resposta fisiológica real à progesterona depois da ovulação, e essa resposta acontece independentemente dos níveis de androgénios ou dos padrões de LH. Para muitas mulheres com SOP, a temperatura basal é um sinal mais fiável do que o teste urinário.
Para que intervalos de ciclo é recomendado o Daysy?
Uma nota importante: o Daysy é recomendado para ciclos com duração entre os 19 e os 40 dias. Fora deste intervalo, a utilidade do dispositivo fica comprometida e não é possível garantir a mesma fiabilidade. Se tens ciclos consistentemente mais longos do que 40 dias, o Daysy não é, neste momento, a ferramenta mais adequada para ti, e é importante dizê-lo com clareza.
Se tens ciclos irregulares dentro deste intervalo, o Daysy pode trabalhar contigo. Vai mostrar-te mais dias amarelos do que uma mulher com ciclos regulares, e isso é normal e esperado. A chave é compreender o que cada cor significa e tratar os dias amarelos como potencialmente férteis, sem exceção.
Uma última coisa
O Daysy não substitui o acompanhamento médico, e nenhum dispositivo de monitorização o faz. Se tens SOP, o gráfico de temperatura que o Daysy produz é uma ferramenta de autoconhecimento que podes partilhar com o teu médico ou ginecologista através da app DaysyDay. Mas o diagnóstico, o tratamento e as opções terapêuticas ou de suplementação pertencem sempre ao espaço da saúde profissional.
O que o Daysy oferece é algo diferente: a possibilidade de conheceres o teu ciclo por dentro, de perceberes quando e se ovulas, e de acompanhares ao longo do tempo o impacto das mudanças que vais fazendo na tua saúde.
Para muitas mulheres com SOP, isso faz toda a diferença.
Referências
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